Melhor do que ler um livro, é poder falar sobre ele e ouvir outras opiniões, descobrir perspectivas novas, que não reparamos de logo de cara. Essa é a mágica de estar em um clube de leitura. Quem gosta de ler, deve procurar um. E hoje isso é bastante fácil, pois há uma diversidade enorme de clubes presenciais e digitais aos quais pode-se participar sem burocracias de inscrições ou comprometimento. Digo isso para que se possa experimentar, sentir o gosto. O engajamento vem com o tempo.

A Mariana Lobato e a Bel Botter, casal dedicado à literatura de diversas maneiras, mantém ambos os formatos de clube abertos a participação do público. Uma maneira de acompanhar a programação é seguir o perfil @Livro.diverso, que a Mari tem no Instagram. Participei da última reunião presencial do grupo, que acontece mensalmente na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. O tema, desta vez, era o próprio livro de Mariana, Pitangas Verdes, o que fez a autora só aparecer no final, para deixar o papo rolar sem sua interferência.
Fiquei impressionada com a profundidade das discussões, o envolvimento e a vontade de falar dos presentes, a partir de leituras cuidadosas do belo livro de estreia da Mariana Lobato Botter, vencedor do Concurso Literário Vila-Labrador do ano passado. Acompanhei a escrita dessa obra na pós-graduação em Escrita Criativa pelo Instituto Vera Cruz, da qual éramos colegas, e fiquei emocionada ao lê-lo finalizado, um olhar feminino e contemporâneo do mundo e das relações familiares.
Pitangas Verdes mostra o amadurecimento precoce imposto às mulheres, deixando sequelas no caminho, impulsionando corpos que cuidam com o que têm a mão, na força do amor, às vezes da solidão, às vezes do ódio. No centro, uma filha busca entender e perdoar a mãe, de quem não conseguiu se despedir e resolver pendências antes de sua morte. É uma história de mulheres, voltada para mulheres, mas também para homens sem medo de se olhar no espelho como coadjuvantes sempre mais falhos nas relações parentais.

Bel e Mari também são sócias da editora Pitanga, pela qual lancei o livro Temos Fome, Somos Loucas – como um clube do livro transformou a vida de um grupo de mulheres. Nele mostro não apenas a história de um círculo de leitoras, mas também trago dicas para se formar novos grupos. Cada um pode achar o ideal para si. Não há como se arrepender de buscar um modelo e participar.