PaulistanaSP

A vida acontece aparentemente igual pelo que vejo da janela, mas me sinto triste e sem vontade de escrever sobre os tantos assuntos que gostaria. A cada minuto que paro para pensar, só o que me vem à cabeça é mais uma guerra se alastrando, mais pessoas e cidades sendo destruídas. Guerras em que os mandantes estão bonitinhos em suas casas e não conseguem justificativa plausível para o que estão fazendo. Afinal, se fosse preocupações com os cidadãos de regimes ditatoriais, já teriam tomado providências há muito mais tempo. Mulheres sendo tratadas como escravas no Oriente Médio, sem poder sair de casa, ou se vestir como quiserem, ou mesmo estudar ou dirigir em alguns países, nunca mobilizaram líderes mundiais. Aliás, ir atrás de menininhas para outras coisas é o que costuma mobilizar essa gente.

Penso nas meninas mortas na escola no Irã e, de repente, me lembro que muitas mais crianças foram assassinadas por bombas em Gaza agora há pouco e que as que sobreviveram continuam vivendo em um campo de concentração, onde nem organizações como o Médicos Sem Fronteiras podem entrar. E penso que há outra guerra entre Rússia e Ucrânia, que já virou rotina e não está interessando mais.

Vejo as notícias na TV e as guerras são apresentadas como se fossem mais um episódio de Missão Impossível, no qual não sabemos quem é bandido e quem é mocinho, mas temos certeza de que nada do que vemos é correto. Aliás, nem o que se passa nesses filmes, fantasias para meninos, mas cada vez mais perecidos com a realidade, me parecem diversão. Ver carros, cidades e pessoas explodindo virou maneira de esfriar a cabeça. Como podemos nos comover quando as imagens são reais?

Sinto o mesmo quando leio sobre a violência contra as mulheres, seja pela turma de Epstein ou da turma de bem aqui no Brasil, que adora agredir e matar mulheres, enquanto faz proselitismo moralista. Estou cansada também de assistir mulheres sendo estupradas, feridas e mortas gratuitamente em filmes, séries e novelas, sempre com a “justificativa” de se estar apenas retratando a realidade ou fazendo denúncia. Acho que o prazer de ver uma mulher sofrer é um dos maiores fetiches de nossa sociedade.

Estou não apenas triste, mas também raivosa. Há tanta coisa em que precisaríamos estar pondo energia e não podemos. Como falar de alternativas para as cidades se prevenirem de eventos extremos ou da importância de elegermos gente com um mínimo de compromisso público, quando há pessoas morrendo, principalmente mulheres e crianças, de tudo quando é jeito? Quando no noticiário e na internet só nos deparamos com cenas de apocalipse, fofocas de poderosos e propagandas mentirosas de produtos e procedimentos para nos tornar lindos, ricos e imortais, enquanto bombas podem cair em nossas cabeças?

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x