Em uma conversa com minhas amigas, quando cada uma foi instada a dizer qual era sua maior qualidade, pensei em mim como uma pessoa fiel: à família, ao meu marido, aos meus amigos, aos meus princípios. Mas ultimamente andava pulando a cerca e me sentindo bem feliz: ganhei um Kindle faz um tempinho e me recusava a usar por fidelidade aos livros de papel, seu toque, peso, cheiro. Mas a satisfação imediata da vontade de ler um título e bastar dois clicks para tê-lo em mãos e, porque não dizer, também a economia, me fizeram ceder à tentação.
Achei sem-gracinha, mais chato de voltar as páginas, não tem orelha, não dá pra usar marcador – e isso é mesmo muito chato -, nem escrever nas margens. Pensava, porém, na quantidade absurda de livros que estou tentando catalogar para dar um jeito em nossa biblioteca e no espaço que não se multiplica como eu gostaria, e nas árvores que serão economizadas, e em como eu quero ser moderna. Já estava me acostumando.
Até que ganhei de amigos queridos um vale presente da Livraria da Vila e resolvi dar uma passadinha para descolar um livrinho. E descubro, quando vou ver o valor, que era um presentão. E peguei uma lista enorme de títulos da minha lista para saber o que tinha lá. Fiquei no bate-papo com a vendedora e folheei um monte de livros, e contei quantos tinha lido em cada fileira exposta (adoro fazer isso). Saí com a sacola cheia e a alma lavada. Lembrei por quem meu coração realmente bate. Chega de aventuras.
Kindle é bom só para variar
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