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PaulistanaSP

Descobrindo cantinhos em Porto Alegre

O Centro Histórico, por questões familiares, sempre foi meu reduto em Porto Alegre, cidade que há quase 40 anos carrego como parte do meu nome. De uns tempos para cá, no entanto, passei a ficar no Moinhos e Vento, bairro cheio de boas surpresas para uma caminhante. Em primeiro lugar por sua topografia alta, mas suave, um comércio variado e charmoso, os restaurantes balados e o Parcão, o Parque Moinhos de Vento, que não é tão grande assim, mas tem espaço suficiente para um respiro e exercícios. Alguns quarteirões à frente, o Jardim do DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgoto) é um refúgio tranquilo que acabei de descobrir. Uma pequena área verde aberta ao público, cheio de cantinhos para se sentar e descansar, quem sabe ler um livro. Daqueles locais privilegiados que todos os moradores das cidades deveriam ter, mas sabemos raros nas nossas grandes cidades. O local abriga também uma Galeria de Arte, com acervo de mais de duzentas obras doadas, que podem ser apreciadas de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 8h às 17h30, com entrada franca. O Jardim abriga, ainda, o monumento público mais antigo de Porto Alegre: quatro estátuas que representam os afluentes do Guaíba. As esculturas, em mármore de Carrara, foram idealizadas pelo arquiteto italiano José Obino e instaladas na Capital em 1866. São duas figuras femininas, as Ninfas, que simbolizam os rios Caí e Sinos, e duas masculinas, os Netunos, que representam os rios Jacuí e Gravataí.

Obra de ficção

Atenção: este é um diálogo hipotético. Uma obra de ficção. – Boa tarde! O senhor é o administrador do Parque Villa-Lobos? – Sim, no que posso ajudá-lo? – Eu gostaria de usar o parque para fazer algumas coisinhas e queria saber o que é possível. – Meu amigo, não trabalhamos com limites, mas com os trocadinhos que pingam. Dependendo do valor, pode fazer o que quiser. – Posso instalar máquinas, totens e equipamentos? Vender qualquer coisa? – Pode. – Ah! Muito bom. Posso cercar qualquer área do parque e fazer as obras que precisar? – Com certeza. – Mesmo obras permanentes e sublocadas? – Mesmo estas. – E tem alguma regra sobre como seriam os equipamentos, destinação de locais, datas possíveis, padronização, paisagismo? – Nada, apenas é desejável que escreva alguma placa que contenha palavras como “verde”, “sustentável”, “sustentabilidade”, “natureza”, “bem-estar”, qualquer coisa dessas. Mas não é obrigatório. – E os frequentadores do parque não acham ruim, não protestam? Tenho acompanhado o que está acontecendo no Parque da Água Branca e fico um pouco receoso. – Não se preocupe, o pessoal aqui não é tão radical e esquerdopata como os de lá. – Ufa! Mas alguma parte do pagamento vai para os equipamentos do próprio parque, como manter os espelhos d’água da biblioteca, reabrir o Circuito das Árvores ou restaurar e colocar em funcionamento o orquidário? Isso pode encarecer o projeto. – Imagina, o povo que frequenta este parque nem percebe que esses equipamentos existem. Aqui podemos fazer tudo o que quisermos. Dá para reservar parte do estacionamento, cobrar entrada de tudo, circular com caminhões dentro do parque na hora que precisar. Nossos eleitores nos autorizam e não estão nem aí para essas bobagens de paisagismo, arborização e sossego, que é coisa de vagabundo, não de patriota. – Que maravilha! Vai ser um prazer fazer negócio com gestores tão responsáveis e visionários. Circuito das Árvores: fechado!