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Bienal é um privilégio paulistano

Não perca a 36a Bienal de São Paulo. Mesmo que não entenda de arte, como eu, vale muito a pena. É um privilégio ter um evento desse porte na cidade, por tanto tempo e de graça. Uma mostra que acontece a cada dois anos desde 1951 e tem um prédio próprio especialmente projetado para ela por arquitetos como Oscar Niemeyer dentro do Parque Ibirapuera. Tudo isso já é motivo suficiente para programar correndo a visita, mas a Bienal de São Paulo ainda é considerada um dos três principais eventos do circuito artístico internacional, junto à Bienal de Veneza e à Documenta de Kassel (realizada na Alemanha a cada cinco anos). E nem precisa tanta pressa, já que a Bienal vai até 11 de janeiro de 2026, abrindo de terça a domingo, das 10 às 18 horas (aos sábados, vai até às 19 horas). Com o tema “Nem todo viandante anda estradas. Da humanidade como prática”, esta edição traz uma presença feminina muito forte e uma maior parte de artistas brasileiros e do sul global. As instalações predominam e contam uma história da presença humana e sua interação com os demais seres e com o planeta. Os temas são mostrados em seis capítulos e são autoexplicativos, as sensações vão dando conta do que se está querendo transmitir. Fazer uma visita guiada ajuda a entender, mas não é essencial. O importante é se deixar levar pela curiosidade, como em um passeio, sem compromisso, apenas sentindo. Dá para passar pelo menos duas horas por lá, percorrendo paisagens sonoras, olfativas, táteis e visuais. Entrar e já percorrer uma mata de cerrado com plantas nativas do bioma criada especialmente para a exposição pela artista e poeta britânica Precious Okoyomon. Se maravilhar dentro da instalação totalmente instagramável da chinesa Song Dong, com espelhos, lustres e abajures, todos emprestados de casas reais, ouvir o som vindo das entranhas do pavilhão a bienal via dutos de encanamento ou a sinfonia criada por ar e lâmpadas em contato com a água. É impossível passar por obras de pura beleza, como o caracol de panos pintados com flores, de Maria Magdalena Campo Pons, e não sair encantado desta viagem pela “intratável beleza do mundo”, nome da última parte da exposição.

A bailarina

Acompanho as aventuras da Joana desde bebezinha, ou até antes, na barriga da mãe, minha amiga Daiani Mistieri, que sempre amou dividir as proezas da cria nas redes sociais. E a @jo.mistieri não decepciona. Era um azougue já bem pequena fazendo dança acrobática. E isso não faz tanto tempo assim, porque a menina só tem dez anos. Desde 2022, Joana é aluna da Escola Momentum Arte e Movimento e, sob direção e coreografia de Marina Mancini, já vem conquistando espaço nos palcos. Tem participado de importantes festivais e se destaca em cada apresentação. Com a coreografia “Dermatite Atópica”, criada por Marina Mancini em 2023, ganhou cinco premiações expressivas: o Festival Aplausos, o Festival de São Paulo, o Festival de Joinville e, mais recentemente, neste ano, o Festival Pridansp, no qual ficou em primeiro lugar. Além da conquista no Pridansp, Joana recebeu um convite exclusivo para se apresentar na Noite de Gala, um espaço reservado apenas para os grandes destaques do festival — um reconhecimento que celebra não só o talento, mas também todo o empenho e a evolução da jovem bailarina. Tem tudo para fazer história nos palcos, para corujice da mãe (e das amigas da mãe!). Enquanto isso, sigam ela por aqui, que é uma delícia.