Dia D me deu saudades de ET, O Extraterrestre

Sou uma consumidora voraz de ficção científica, seja em livros, filmes ou séries e estou sempre disposta a acreditar em quase tudo enquanto estou envolvida com a história. Mas Dia D (Disclosure Day), de Steven Spielberg, me irritou um pouco. A falta de verossimilhança e a supervalorização de si mesmos dos estadunidenses chegou a um nível extraterrestre, para ficar no tema do filme. O fato dos ETs acharem que somente os Estados Unidos são dignos da visita de seus Ovnis é um pouco ofensivo, mas entendo. Se eu fosse fazer um filme sobre o tema, tenderia a localizá-lo no Brasil. Em Varginha, talvez? Imaginar, no entanto, seres extraterrestres tão poderoso a ponto de viajarem distâncias inimagináveis, com tecnologia e superpoderes para enfiar conhecimento infinito na cabeça de criancinhas, obrigar outros seres a fazer o que eles querem, ler pensamentos e se transformarem em qualquer animal e, mesmo assim, serem feitos de gato e sapato pelo governo e por ong maléfica norte-americanos, a ponto de somente um conseguir sobreviver, é difícil de engolir. No filme de Spielberg há três tipos de seres com alguma inteligência relevante: os ETs, os estadunidenses malvados e os estadunidenses com boas intenções. O restante da humanidade é tão estúpido que precisa ser tutelado em tudo. Essa parte, aliás, é bem explicadinha: Jane, ex-freira namorada do mocinho, ao descobrir a existência dos extraterrestres fica desesperada porque todos os humanos, menos ela, vão entrar em parafuso ao saber que não estamos sozinhos no universo. Mas se acalma um pouco quando a madre superiora do convento que frequentou (minha xará, irmã Maura) explica pra ela que a Bíblia diz que os humanos são os maiorais na Terra, sem mencionar o resto do universo. Ufa!, podemos acreditar em ET e em Deus ao mesmo tempo. Doutrinas a parte, a história sobre o possível caos global após uma transmissão ao vivo na televisão revelar que a humanidade sempre esteve sendo visitada por inteligências extraterrestres tem inconsistências gritantes. A narrativa acompanha duas figuras centrais que recebem habilidades extraordinárias ao serem abus@das, ops, abduzidas pelos ETs quando crianças para futuramente revelar a verdade no Dia D (a tradução literal do título seria Dia da Revelação). O menino é Daniel Kellner, que não se lembra da infância, mas se descobre gênio da matemática na adolescência, se transforma em hacker, é preso e depois vai trabalhar na ONG que esconde as informações sobre a presença dos extraterrestres. Entre suas habilidades, está entender a língua do ET sobrevivente transformada em equação matemática. O problema é que o funcionário da ONG que raptou o ET sobrevivente para revelar ao mundo sua existência esperou cinco anos até a menina abduzida, repórter do tempo de uma emissora de TV, Margareth Fairchild, começar a ter experiências misteriosas: seu dom é ler pensamento e conhecer todos os humanos pelo nome. No entanto, não há nada de útil em esperar pela revelação dela, já que Daniel é quem se comunica com o ET. A única colaboração de Margareth é ser a apresentadora de televisão que faz a revelação ao público. Isso eu também poderia fazer. Se, para quem não viu o filme, deu para entender toda essa complicação, deixo aqui o spoiler final: não ficamos sabendo qual é a revelação, porque o ET cochicha para o hacker que cochicha para a apresentadora. Quando ela vai fazer a revelação na TV para o mundo, o filme acaba. Saudades de ET, O Extraterreste.
Michael: a nostalgia ganhou

A biografia de Michael Jacson terminou recheada de polêmicas, com esquisitices, coisas mal explicadas e até possíveis crimes, estes últimos totalmente ignorados no filme Michael. Assistindo à cinebiografia, confirmei minhas expectativas em relação às esquisitices (se relacionar melhor com animais selvagens do que com pessoas é bem estranho). No filme, vemos uma criança abusada pelo pai, que o espancava, humilhava e obrigava a trabalhar, e um adulto emocionalmente infantilizado e com problemas de imagem. Ao mesmo tempo, um artista genial, com uma voz dos deuses, capaz de compor músicas inesquecíveis e criar passos e coreografias impensáveis. O que é fato e o que é show business é difícil saber, assim como se vai haver uma continuação para a parte polêmica da vida do astro, pois o filme termina quando ele, finalmente, consegue se livrar das garras do pai. Uma coisa, porém, não dá para negar. O filme é um “revival” incrível para quem cresceu nos anos 1970 ao som (e assistindo aos desenhos animados) do The Jackson 5. Fui uma criança apaixonada por Michael Jacson. Lembrar as incontáveis canções e coreografias interpretadas por ele, com e sem os irmãos, compensou as concessões feitas pela adulta antes de ir ao cinema.