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Qual o destino das nossas incríveis praias de falésia?

Pelo segundo ano consecutivo, passei férias em praias de falésias. No verão passado, estive em Pipa, no Rio Grande do Norte, e neste, em Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro, Bahia. Descontando o desafio das escadarias e ladeiras diárias para chegar ao mar, estou encantada com estas formações. Opressivos à primeira vista, os paredões revelam uma variedade de cores e formas, às vezes até parecendo desenhadas, suas camadas expostas a nos lembrar quão mínimos somos diante da antiguidade do mundo. Passei horas e horas a observá-los em longas caminhadas ou em demorados banhos de mar. As falésias são um companheiro de viagem, um plus em qualquer praia, ainda mais quando terminam em piscinas naturais mutantes conforme as marés. Aliás, como ficam comumente em litorais com praias estreitas e em contato direto com o mar, nos obrigam a buscar informações sobre as tábuas de maré, para não correr riscos de não poder voltar de uma caminhada ou não ter onde sentar-se na praia. Definitivamente, esse não é um costume sudestino, e dá um ar de aventura a um passeio comezinho. Esses paredões rochosos espetaculares, esculpidos a partir da erosão causada pelo mar, chuvas e ventos durante milhões de anos, no entanto, são formações geológicas frágeis, que podem desmoronar a qualquer momento, sobretudo pela erosão na base pelas ondas. Difícil não pensar em riscos à essas paisagens tão procuradas do Nordeste brasileiro, sobretudo no Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas e Bahia, com o aumento do nível do mar e os eventos extremos das mudanças climáticas. Em Arraial, dá para perceber que a maré já sobe mais, deixando a faixa de areia mais estreita. Em Pipa, passar de uma praia para a outra ficou bastante difícil. Caminhos antes naturalmente feitos pelos veranistas a pé, hoje só são possíveis por pouquíssimo tempo na maré mais baixa. Sem falar no perigo de deslizamentos repentinos, como o que aconteceu em 2020, quando um casal e seu bebê morreram soterrados. Temos que nos adaptar ao colapso climático e muito há para se fazer, para que as cidades continuem habitáveis, para que as construções sejam feitas para resistir, para que consigamos frear as emissões o quanto antes. Sobre as lindas praias de falésias, porém, o futuro é bastantes incerto.

Que 2025 seja fresco!

Dois mil de vinte e cinco era para ser um ano tranquilinho. Não temos eleição, copa do mundo, olimpíadas. Há bastantes feriados e o carnaval é no começo de março, ampliando o verão. Mas é por aí começam os problemas, pois não foi só o verão, mas tudo ficou mais quente. Quente de verdade, e não apenas pelo fogo que queima a Califórnia e que, no ano passado, queimou o Cerrado, o Pantanal, a Amazônia e a Mata Atlântica por aqui. Com mais de 1,5º C de temperatura média no planeta, o índice que esperávamos evitar, o fogo deve seguir firme e forte dando as caras neste ano. Assim como as chuvas, que costumavam fechar o verão em março, mas, agora, quem sabe quando e onde vão aparecer. Ou se recusar a aparecer.  Passei as últimas duas semanas em um paraíso à beira mar – a Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte -, onde o tempo ainda é previsível e perfeito para o lazer, entre 25 e 30 graus, e a chuva, quando cai, é pouca e suave nesta época do ano. As praias são limpas, (quase) sem plásticos, (quase) sem caixas de som, bênçãos as quais estava desacostumada. Mas não existe mais refúgio isolado no mundo. A especulação imobiliária já corre solta, à força de gringos que trazem recursos, baratos pra eles e bem-vindos para a população local. As criações de camarão comem o mangue, também na mesma pegada de progresso que destrói a proteção do que lá tem de melhor e mais garantido. Embora nada mais seja garantido de verdade. Moradores e, principalmente, os que dependem o turismo, veem o nível do mar aumentando e a faixa de areia aproveitável abaixo das maravilhosas falésias cada vez menor. É preciso consultar a tabua de marés para escolher o intervalo de tempo, mais curto a cada ano, para caminhar entre as praias, uma das melhores atrações locais.  Nada que tenha me impedido de relaxar e abstrair que o Trump vai assumir na segunda-feira com promessas hitlerianas para o mundo, que as big techs perderam de vez o pouco pudor que fingiam ter e as fake news sobre o PIX escancararam o que vem pela frente. Para quem gosta de viver e deste planeta como eu, aconselho muita meditação, calma e uma disposição otimista para a luta. Sejamos serenos e bem-humorados, sem usar óculos cor-de-rosa, por favor, porque excesso de tolerância com a insanidade e falta de realismo não vão nos tirar do buraco. Sei que estou um pouco atrasada, mas Feliz Ano Novo, que seja fresco pra todo mundo!