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Exposição retrata vida das pessoas por trás da crise hídrica

“A nossa seca está ofendendo muita gente”. “Se eu tivesse tido uma oportunidade ao longo da vida de ter um poço de água, eu teria até bens materiais”. Ao invés de encobrir, a beleza plástica das fotos de Érico Hiller torna mais impactantes as fotos da exposição Água, que o fotógrafo inaugurou nesta semana no MIS-SP. As frases acima ilustram algumas das mais de 30 imagens de pessoas lutando para sobreviver em situação de carência hídrica testemunhadas pelo artista nos últimos dez anos e revelam as histórias humanas por trás da crise da água que só faz aumentar diante das mudanças climáticas. A mostra conta com fotografias coloridas, feitas na Etiópia, Índia, Palestina, Jordânia, Bolívia, países onde a água aparece em sua dimensão universal — fonte de sobrevivência, beleza e contraste. Já na série em preto e branco captada no Brasil, o olhar se volta ao contexto nacional, ressaltando a força poética e crítica desse elemento em nossas paisagens e comunidades.  Completando a experiência, uma sala exibe um vídeo de bastidores de cerca de sete minutos, que mergulha no processo criativo e nas vivências do fotógrafo durante a construção deste projeto. Mais do que um registro visual, a exposição convida o público a refletir sobre a urgência de preservar a água, compreendendo-a não apenas como recurso, mas como elo vital que sustenta toda a vida no planeta.  Em uma semana em que o Congresso Nacional deu mais uma demonstração de desprezo pela vida de quem deveriam estar garantindo os direitos básicos, as fotos de Hiller deixam também um gosto é de revolta. Imaginar o retrocesso representado pela anulação aos vetos presidenciais que tentavam diminuir o impacto nefasto na legislação ambiental do país, é de doer o estômago. Não é demais repetir que a maior parte das consequências das mudanças climáticas – e o desmatamento é uma de suas grandes causas – chegam até nós por meio da água, seja por sua falta ou excesso causado por eventos extremos. Segundo Hiller, “Água é um minúsculo recorte do Brasil e do mundo nesta década quente dos anos 2020. A crise climática é o pano de fundo da cena planetária que, somada à má distribuição e ao uso indevido dos recursos naturais, torna a vida de milhões um verdadeiro calvário”. A exposição fica em cartaz até abril do próximo ano, aquele em que poderemos mudar o jogo de forças no Congresso, que tem nos levado ladeira abaixo.