Minhas leituras: Poemas para brincar nas quatro estações

imenso céu azul de repete – movimento – voa a borboleta Nunca tentei fazer haicai e a definição acima é de Yara Fers, na Apresentação do livro Poemas para Brincar nas Quatro Estações, de Francine Cruz, autora do texto que abre este artigo. Descobri esta obra durante a Flip, em Paraty, e continuo encantada com a beleza dos poemas, das ilustrações de Débora Bacchi e a delicadeza das páginas costuradas à mão, marca das publicações da Editora Arpillera, de Camaçari. Só descobri o que é haicai com meus filhos, quando aprenderam na escola. Me encantei pela (aparente) simplicidade dessa poesia curta, nascida em meados do século 17, no Japão. O haicai tradicional, ou kaiku, é composto de três versos, sendo o primeiro com cinco sílabas poéticas, o segundo com sete e o terceiro com cinco. É um poema minimalista, geralmente sem título e sem rimas. O livro traz, ainda, colagens de flores e folhas secas na capa e representando as estações do ano. Isso faz cada exemplar ser único, por isso, numerado. O meu é o 293. É uma obra de arte para ser admirada e exposta com cuidado. Tem cara de presente bem dado. E os poemas para brincar – na primavera, no verão, no outono e no inverso – remetem a alegria e encantamento. Dá para ler em uma sentada, mas fica muito melhor se for apreciado aos poucos, cada verso, cada colagem, cada ilustração, acompanhando as mudanças de estação.