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O conto dos descarados

Era uma vez um reino muito grande e bonito. Sua diversidade de gentes, culturas e natureza era admirada no mundo todo. Mas há séculos esse reino era governado por um grupo de autodeclarados nobres, que de nobreza não entendiam nada. Eles desprezavam seus súditos e as riquezas daquelas terras, das quais se apropriavam desavergonhadamente achando que eram infinitas. Para manter o povo calado, mentiam. Diziam que destruir era desenvolver, que desregular era cuidar. Como se não bastasse, quando alguma voz se levantava para chamar a atenção para o que acontecia, esses detentores do poder se uniam para escorraçar a voz dissonante. Se essa voz fosse de uma mulher, tanto pior. A falta de compostura e escrúpulos era tanta que eram incapazes de medir as atitudes, até mesmo para disfarçar suas reais intenções. Embrenhados em representar seus asseclas e manter seus privilégios, perderam a noção do que é decoro, mas também do que é lógico. Diante de ameaças, que não eram pragas de bruxos ou falsos profetas, mas sabedoria empírica e científica, preferiram ignorar. Mais do que isso, sentiam-se tão poderosos que planejavam desarmar o reino para poderem abocanhar mais e mais dos recursos sem medir consequências. ** O fim desta história é incerto. Aguardamos a próxima temporada. Parte dos fãs está atônita e indignada. Espera que alguma heroína ou herói se apresente para acabar com a festa nefasta e salvar o reino. Outros fãs, afeitos a um pouco mais de realismo, gostariam de ver os súditos se mobilizarem para impedir a destruição do patrimônio que é de todos. Não sabem, porém, se querem apenas assistir ou participar dos episódios e se responsabilizar pelos resultados. Como em todas as sagas, há, ainda, os que torcem para que tudo continue como está e que o circo pegue fogo. Esquecem (ou fingem não ver), estes e os nobres dirigentes, que também estão sob a lona.