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São Paulo e as livrarias

Livrarias em São Paulo tornaram-se locais de encontros e eventos. Praticamente todas elas contam com um café charmoso e são palco de lançamentos de todos os tipos, alguns apenas com autógrafos, outros com coquetéis ou mesas de conversas com autores e convidados. São oportunidades únicas de encontrar artistas e intelectuais que admiramos, ouvi-los e, por que não, tietar essas pessoas gratuitamente. É um privilégio paulistano não precisar esperar por bienais e feitas do livro para ter este contato. Sem contar os clubes do livro presentes em várias livrarias, nos quais é possível maximizar a experiência literária e fazer ótimas amizades. Algumas vezes, como no Dia Mundial do Livro, comemorado no dia 23 de abril, as livrarias se juntam e fazem eventos múltiplos. Neste ano, eu e minhas amigas fizemos uma peregrinação na nossa região (Tarde, Travessa e Bibla) e acompanhamos palestras, declamações e apresentações musicais, além de aproveitar o passeio entre elas para curtir o bairro. De quebra, aumentamos nossas pilhas de livros a serem lidos, porque ninguém é de ferro. Mas é um programa que também poderia ser feito sem nenhum gasto e ainda usufruindo de coquetéis, como havia na Livraria da Travessa. Buscar eventos literários em São Paulo podem nos levar, por exemplo, a locais não triviais, como o centro da cidade e um edifício nacionalmente icônico como o Copan, onde fica a livraria Megafauna, atualmente com uma filial no também emblemático Teatro Cultura Artística, com seu maravilhoso painel do Di Cavalcanti na fachada. Nesta terça-feira (28/4), estive na do Copan para o lançamento do livro Ser Escritor – Liberdade e Consciência na Criação Literária (Companhia das Letras), do escritor Roberto Taddei. Quem estava lá pôde acompanhar uma conversa sobre o fazer literário com Taddei e a também romancista Isabela Noronha, ambos professores do curso de pós-graduação de Formação de Escritores do Instituto Vera Cruz, que inspirou o escritor neste novo livro. Visitar livrarias é uma experiência tão paulistana que existe um mapa das Livrarias de Rua de São Paulo (https://livrariasderuasp.com.br/img/pdf/mapa-livrarias-sp-completo.pdf) para amantes dos livros ou novatos se apaixonarem. O mapa é tão bonito que meu filho e minha nora fizeram um quadro para a casa deles. Está aí mais uma ótima ideia para leitores e passeadores paulistanos.

Bienal é um privilégio paulistano

Não perca a 36a Bienal de São Paulo. Mesmo que não entenda de arte, como eu, vale muito a pena. É um privilégio ter um evento desse porte na cidade, por tanto tempo e de graça. Uma mostra que acontece a cada dois anos desde 1951 e tem um prédio próprio especialmente projetado para ela por arquitetos como Oscar Niemeyer dentro do Parque Ibirapuera. Tudo isso já é motivo suficiente para programar correndo a visita, mas a Bienal de São Paulo ainda é considerada um dos três principais eventos do circuito artístico internacional, junto à Bienal de Veneza e à Documenta de Kassel (realizada na Alemanha a cada cinco anos). E nem precisa tanta pressa, já que a Bienal vai até 11 de janeiro de 2026, abrindo de terça a domingo, das 10 às 18 horas (aos sábados, vai até às 19 horas). Com o tema “Nem todo viandante anda estradas. Da humanidade como prática”, esta edição traz uma presença feminina muito forte e uma maior parte de artistas brasileiros e do sul global. As instalações predominam e contam uma história da presença humana e sua interação com os demais seres e com o planeta. Os temas são mostrados em seis capítulos e são autoexplicativos, as sensações vão dando conta do que se está querendo transmitir. Fazer uma visita guiada ajuda a entender, mas não é essencial. O importante é se deixar levar pela curiosidade, como em um passeio, sem compromisso, apenas sentindo. Dá para passar pelo menos duas horas por lá, percorrendo paisagens sonoras, olfativas, táteis e visuais. Entrar e já percorrer uma mata de cerrado com plantas nativas do bioma criada especialmente para a exposição pela artista e poeta britânica Precious Okoyomon. Se maravilhar dentro da instalação totalmente instagramável da chinesa Song Dong, com espelhos, lustres e abajures, todos emprestados de casas reais, ouvir o som vindo das entranhas do pavilhão a bienal via dutos de encanamento ou a sinfonia criada por ar e lâmpadas em contato com a água. É impossível passar por obras de pura beleza, como o caracol de panos pintados com flores, de Maria Magdalena Campo Pons, e não sair encantado desta viagem pela “intratável beleza do mundo”, nome da última parte da exposição.