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PaulistanaSP

Mostra remete a ruínas metamorfoseadas

Passados dois anos da grande inundação que assolou Porto Alegre, as marcas da tragédia continuam presentes, se não nas ruas e construções, no imaginário traumatizado de sua população. É difícil, para quem vem de fora como eu, conversar com alguém sem que o tema não seja mencionado. Impossível passear pela orla do Guaíba, como fiz alguns dias atrás, sem pensar na vulnerabilidade de uma metrópole rodeada de águas lentas e praticamente ao nível do mar quando as mudanças climáticas entram porta adentro de nossas vidas sem pedir licença. Senti um certo aperto no peito enquanto ia em direção ao Centro Histórico ao lembrar que um El Niño foi o causador das chuvas de 2024 e agora o mesmo fenômeno (e, como dizem, super) volta a se formar com possibilidade de enchentes e inundações no Sul do país. É muito pouco tempo para que as pessoas suportem um novo desastre climático. Meu destino naquele dia era a abertura da exposição 2016-2026 da artista plástica Ana Norogrando, no Museu de Arte do Paço (antigo prédio da Prefeitura). A mostra é formada por um conjunto de esculturas e audiovisuais de extremo impacto ao remeter a ruínas, de corpos e coisas unidas em objetos metamorfoseados que parecem ter vida própria. São fragmentos corporais, membros isolados, próteses, estrutura mecânicas, objetos encontrados, partes industriais e dispositivos tecnológicos rearranjados como ao final de uma tragédia que os carregou e obrigou a se fundirem em uma nova realidade. Vemos um mundo pós-pandêmico e pós-enchente em seu trabalho. Um mundo feito de cacos que tentamos dar forma e sentido. (Veja artigo completo em sler.com.br)

Descobrindo cantinhos em Porto Alegre

O Centro Histórico, por questões familiares, sempre foi meu reduto em Porto Alegre, cidade que há quase 40 anos carrego como parte do meu nome. De uns tempos para cá, no entanto, passei a ficar no Moinhos e Vento, bairro cheio de boas surpresas para uma caminhante. Em primeiro lugar por sua topografia alta, mas suave, um comércio variado e charmoso, os restaurantes balados e o Parcão, o Parque Moinhos de Vento, que não é tão grande assim, mas tem espaço suficiente para um respiro e exercícios. Alguns quarteirões à frente, o Jardim do DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgoto) é um refúgio tranquilo que acabei de descobrir. Uma pequena área verde aberta ao público, cheio de cantinhos para se sentar e descansar, quem sabe ler um livro. Daqueles locais privilegiados que todos os moradores das cidades deveriam ter, mas sabemos raros nas nossas grandes cidades. O local abriga também uma Galeria de Arte, com acervo de mais de duzentas obras doadas, que podem ser apreciadas de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 8h às 17h30, com entrada franca. O Jardim abriga, ainda, o monumento público mais antigo de Porto Alegre: quatro estátuas que representam os afluentes do Guaíba. As esculturas, em mármore de Carrara, foram idealizadas pelo arquiteto italiano José Obino e instaladas na Capital em 1866. São duas figuras femininas, as Ninfas, que simbolizam os rios Caí e Sinos, e duas masculinas, os Netunos, que representam os rios Jacuí e Gravataí.