Três coisas dificultam a vida de quem gosta de caminhar em São Paulo: a má qualidade das calçadas, as ladeiras e o clima, nesta ordem. Sobre segurança, não me alongarei, pois gosto de andar de dia e em lugares movimentados. E não descuido. Não considero a cidade pior do que qualquer outra grande metrópole que conheço, a não ser em relação a celulares dando sopa, o que não acontece com o meu.
Sempre gostei das andanças paulistanas, mas tenho intensificado porque pretendo fazer o Caminho Cora Coralina no segundo semestre e preciso treinar. Serão 300 quilômetros em 15 dias, nunca cheguei perto de nada parecido. Mas estou empolgada com minha coragem e tomada de pensamento positivo, apesar da desconfiança familiar.

O ideal seria treinar fazedo trilhas, mas não é tão simples vivendo em São Paulo. Andar na cidade ainda é a melhor alternativa. Tenho procurado fazer pelo menos um desses passeios por semana, aumentando os percursos. Tem sido interessante colocar o endereço de onde quero ir no Google Maps e seguir o percurso indicado a pé. Acabo conhecendo caminhos bem diferentes dos normalmente feitos de carro.
Passei a usar o escadão do Beco do Batman, a famosa Escadaria do Patápio. Moro há quase 30 anos na Vila Madalena e nunca tinha subido nesta verdadeira galeria de arte urbana a céu aberto, que liga a rua Medeiros de Albuquerque à rua Patápio Silva. Passar pelas floriculturas da avenida Doutor Arnaldo a pé também é uma experiência que vale a pena, sem contar que me deu vontade de visitar o cemitério apenas a passeio para ver os mausoléus do Cemitério do Araçá, o que ainda não fiz. Já estive lá várias vezes, pois parte da minha família tem sepultura lá, mas só passei pelo local em enterros.
Se fico irritada com as calçadas e às vezes com a sujeira nas ruas, percebi que as ladeiras já não me incomodam tanto. Veja bem, desde que as calçadas sejam decentes. E percebi que as distâncias dos lugares que gosto de ir são menores do que imaginava.
Ir da Vila Madalena para a avenida Paulista, para Higienópolis, qualquer pedaço de Pinheiros ou Sumaré, é muito mais perto do que qualquer percurso que faço quando estou viajando. Quando é um lugar mais longe – ainda não me aventurei a ir a pé até o Centro -, vou andando até o metrô Fradique Coutinho, por ser mais longe do que a estação Vila Madalena.
Claro que dá para melhorar muito minha performance, estou engatinhando nessa aventura. Espero que ela me traga boas histórias para contar.