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PaulistanaSP

Desta vez, a anfitriã do Círculo Feminino de Leitura (CFL) fui eu e o livro indicado foi Suíte Tóquio, da Giovana Madalosso. O romance é contado, em capítulos alternados, pela babá Maju e sua patroa, a executiva Fernanda, enquanto a primeira sequestra Cora, a filha da segunda.

Embora tenha um ritmo de thriller, o livro traz discussões sobre diferenças sociais e relações de classe, maternidade, desejos e liberdade femininos e seus limites. Daquelas histórias onde não há mocinhas e vilãs: não dá para justificar o sequestro de uma criança e também julgamos a mãe que prioriza tanto a carreira que não tem vergonha de admitir que negligencia a filha. Ainda por cima, para resolver seus problemas, destrói a vida da babá ao comprá-la, aproveitando-se de sua condição econômica, para trabalhar em regime praticamente de escravidão.

Para a reunião do CFL, quis ressaltar a relação mãe-babá, situação vivida pela maior parte do nosso grupo. Somos todas mulheres de classe média e sempre presamos por nossas carreiras. E pudemos escolher ser ou não mães. Todas as que fizeram essa escolha, em algum momento, contamos com babás e empregadas para nos dar suporte. E tivemos nossos dramas internos por conta disso.

Pensei em nos colocar do outro lado do balcão: pedi que minhas amigas viessem vestidas de babás e trouxessem suas “picochucas”, como Maju chamava carinhosamente a menina da qual tomava conta e acabou achando que poderia ser sua. Deixei avisado na portaria do prédio para encaminhá-las pela garagem e o elevador de serviço.

Pendurei na porta da cozinha uma placa com os dizeres “Entrada para o Exército de Branco”, como Fernanda se referia às babás do bairro em que morava. Aliás, para os bons entendedores, a personagem vivia no “bairro diferenciado” de Higienópolis. Não vou dar spoiler sobre o nome do livro, mas se refere a mais uma das ironias da patroa em relação à sua funcionária.

O romance também discute relações amorosas e como em nossa sociedade estão diretamente ligadas ao trabalho e ao dinheiro. E as expectativas contraditórias sobre quem deve cuidar de quem.

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