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PaulistanaSP

A Urbia, mesma empresa que administra o Parque do Ibirapuera, anunciou que quer devolver a concessão do Horto Florestal e do Parque Estadual da Cantareira, na Zona Norte de São Paulo, porque a rentabilidade do “negócio” ficou abaixo do esperado. Chamar uma área protegida de negócio me dá embrulho no estômago. Esperar que o lucro seja financeiro e não em qualidade de vida para a população ainda mais.

Estive recentemente no Horto Florestal, o qual faz parte da minha história. Marcou esta última visita a falta de sinalização sobre caminhos e atrações do parque. Por exemplo, a entrada para a Trilha da Pedra Grande (localizada no vizinho Parque Estadual da Cantareira) fica dentro do Horto, mas só descobri por acaso, pois não há nada indicando isso. Existem, sim, espaços fechados sem informações sobre o que (e se algo) funciona ali, poucos banheiros e um estacionamento carésimo. Painéis de LED e propagandas em geral também têm bastante.

Espero que estas duas importantes áreas de conservação urbanas paulistas voltem para a gestão pública estadual rapidamente. De preferência, para uma gestão que as valorize como se deve. A atual, parece, só enxerga cifrões em seus parques paulistanos, vide o Água Branca e o Villa-Lobos, onde cada centímetro está disponível para comercialização, seja do que for.

A concessão desses dois parques estaduais é da Reserva Parques (do grupo DC Set Group), administradora de áreas verdes através do Consórcio Novos Parques Urbanos, que também inclui a LivePark e o Grupo Oceanic. Ambos têm sido fontes de questionamentos sobre a privatização.

Frequentadores do Parque da Água Branca criaram uma associação para protestar contra a realização de eventos e instalação de restaurantes em áreas do parque. Seu slogan é “Parque não é shopping”. No Villa-Lobos, painéis publicitários anunciam bebidas alcoólicas, vendidas em diversos locais do parque. A Heineken é “parceira” do Villa-Lobos e conta com um espaço exclusivo no local chamado Heineken House. É só um pouco menos vergonhoso do que as bets serem patrocinadoras de atletas, jogos e times de futebol.

Parques urbanos são locais para preservação ambiental, lazer gratuito e de qualidade. Não é mercadoria, é direito. Além de proporcionarem serviços ambientais, como proteção e provisão de águas, regulação do clima (inclusive o microclima) e controle de doenças infecciosas, possibilitam benefícios diretos para a saúde física, espiritual e mental da população.

Um estudo na Austrália concluiu que a atividade física realizada em áreas protegidas evita o gasto de 200 milhões de dólares australianos com saúde por ano. Pesquisa da Universidade de Chiba, o Japão, concluiu que pessoas que tiveram contato com a natureza mostraram uma diminuição de 16% no cortisol (hormônio do estresse), 4% na frequência cardíaca e 2% na pressão arterial. Natureza não é shopping ou 25 de março. Nem tudo no mundo é sobre lucratividade empresarial.

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