A crise climática tem ocupado maior espaço nas mídias e na boca do povo nestes dias de COP 30 acontecendo no Brasil. No noticiário, porém, o que prevalece são a presença de autoridades e celebridades, manifestações populares, perrengues relacionados à produção do evento e hospedagem de milhares de pessoas na cidade amazônica e discussões, na maior parte incompreensíveis, sobre acordos e promessas de financiamento. Fica uma sensação de que, ao invés de esclarecimento e adesão à causa, as pessoas acabam de bode do assunto.
Isso acontece porque a conferência anual das partes (ou países signatários) da Convenção do Clima é um espaço para os representantes dos países retificarem coisas que foram negociadas ao longo do ano, enquanto ambientalistas e cientistas tentam dar visibilidade às pautas climáticas e lobistas do setor petroleiro vender a imagem de que são bacanas enquanto tentam melar tudo. Mesmo pra quem está acostumado a seguir o assunto rotineiramente, é muito difícil acompanhar para onde a banda vai tocar.

Como meros mortais, sem poder de influenciar o que acontece em Belém, poderíamos aproveitar o ensejo para nos inteirarmos do tema e sabermos o que podemos fazer, no nosso dia a dia, para ajudar a conter a tragédia que se avizinha se deixarmos tudo apenas nas mãos do entourage da COP e dos negacionistas das mudanças climáticas.
Uma boa fonte para tanto é o livro Mude ou Mude-se para Marte – Um empurrãozinho para uma vida com hábitos mais sustentáveis, da jornalista Giane Gatti, lançado no finalzinho do ano passado. O título entrega o que está dentro de forma bem-humorada. O mais bacana, porém, é a capacidade da autora de abordar temas tão indigestos com uma linguagem simples e deixar uma mensagem de esperança sem pieguismo, o que anda difícil ultimamente. Giane inicia seu relato narrando como tudo começou e como nos metemos nessa enrascada, contando como nós, os humanos, ocupamos e transformamos a Terra, sobretudo nos últimos 200 anos, a ponto de comprometermos nossa própria sobrevivência. Nos mostra como a maneira como comemos e consumimos é insustentável e vem provocando as três grandes crises do planeta: mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição.
Além de dividir sua própria jornada para uma vida mais sustentável, Giane traz uma dimensão espiritual sobre o tema, abordagem incomum, mas necessária, numa época em que tudo é medido por dinheiro. “Meu desejo é mostrar, neste livro, como a contribuição de cada um é fundamental. Devemos assumir nosso papel de agentes transformadores. Não subestime sua capacidade de agir e acredite que dá para fazer diferente”, convida a autora. Às vésperas de um ano eleitoral, pensar em considerar estas questões antes de depositar nossos votos também é uma ótima pedida.