Quem ama São Paulo está sempre de cabelo em pé pelas barbaridades cometidas contra sua história e seu patrimônio. É por isso que saber de um casarão restaurado e destinado a exposições de arte é festa para uma paulistana sair correndo para visitar. Em São Paulo há quase 25 anos, a galeria Pinakotheke inaugurou agora em maio sua nova sede na cidade. Saiu do Morumbi para um espaço bem maior em Higienópolis, na rua Minas Gerais, 246, perto da avenida Paulista.

Não conhecia esta galeria, que tem uma sede em Botafogo, no Rio de Janeiro, desde 1994, e em Fortaleza (Ceará), desde 1987. É mais um endereço para ficar atenta e acompanhar.
A exposição de inauguração é Surrealismos: arte para além da razão (com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiaretti). São dois andares com obras dos artistas clássicos do surrealismo, brasileiros e latino-americanos no térreo e europeus e estadunidenses e caribenhos no primeiro andar.

A mostra incorpora revisões contemporâneas do movimento, incluindo a proeminência de mulheres artistas. Logo na entrada, Tarsila do Amaral nos chama para entrar no clima da exposição. Também em destaque, a escultora brasileira Maria Martins, da qual ficamos conhecendo seu romance impossível com Marcel Duchamp, por ambos serem casados, mas que inspirou a obra de ambos.
Memória, sexualidade, trauma, percepção do corpo e relações familiares saltam nas esculturas da francesa, naturalizada estadunidense, Louise Borgeouis. Um trecho do filme O sangue de um poeta, de Jean Cocteau, me deixou paralisada por um tempão ao pé da escada. Para mim, representa uma tradução audiovisual do surrealismo.
Como diz a apresentação da exposição, este movimento artístico “propõe uma experiência de pensamento. Um convite a atravessar zonas de ambiguidade e a reconhecer, na arte, um espaço de liberdade. A imaginação, nesse contexto é uma forma de reconfigurar o real”. Programe-se.
