O Centro Histórico, por questões familiares, sempre foi meu reduto em Porto Alegre, cidade que há quase 40 anos carrego como parte do meu nome. De uns tempos para cá, no entanto, passei a ficar no Moinhos e Vento, bairro cheio de boas surpresas para uma caminhante. Em primeiro lugar por sua topografia alta, mas suave, um comércio variado e charmoso, os restaurantes balados e o Parcão, o Parque Moinhos de Vento, que não é tão grande assim, mas tem espaço suficiente para um respiro e exercícios.

Alguns quarteirões à frente, o Jardim do DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgoto) é um refúgio tranquilo que acabei de descobrir. Uma pequena área verde aberta ao público, cheio de cantinhos para se sentar e descansar, quem sabe ler um livro. Daqueles locais privilegiados que todos os moradores das cidades deveriam ter, mas sabemos raros nas nossas grandes cidades. O local abriga também uma Galeria de Arte, com acervo de mais de duzentas obras doadas, que podem ser apreciadas de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 8h às 17h30, com entrada franca.

O Jardim abriga, ainda, o monumento público mais antigo de Porto Alegre: quatro estátuas que representam os afluentes do Guaíba. As esculturas, em mármore de Carrara, foram idealizadas pelo arquiteto italiano José Obino e instaladas na Capital em 1866. São duas figuras femininas, as Ninfas, que simbolizam os rios Caí e Sinos, e duas masculinas, os Netunos, que representam os rios Jacuí e Gravataí.
